Ao fugir para os Estados Unidos com medo de ser preso após perder o foro privilegiado, Jair Bolsonaro queimou parte da influência que ele havia cultivado com o naco radical de seus seguidores ao longo dos últimos anos. Para muitos bolsonaristas, sai o mito, surge o frouxo.
O presidente que agora deixa o poder ensinou a seus seguidores mais fiéis que no momento mais difícil, temos que sacrificar a própria vida em nome do que chamava de "liberdade". O que ele não disse é que se tratava da sua própria liberdade
A imprensa mostrou a indignação provocada pela live joga-toalha de Jair entre aqueles que tomaram chuva, agarraram-se em caminhões, rezaram para pneus e ETs, celebraram a prisão inexistente de Alexandre de Moraes e comeram o pão com mortadela que o petismo amassou na frente de quartéis por dois meses. Tudo para clamar por um golpe militar em nome do presidente.
A eles somam-se, neste sábado (31), os que soltaram impropérios impublicáveis sobre as imagens em que Bolsonaro tira fotos com seguidores em um condomínio de luxo em Orlando, para onde fugiu usando o dinheiro público. Ele ainda autografou camisetas e prometeu participar de uma pelada com fãs
Ainda há, claro, milhares de pessoas que acreditam que tudo isso é um plano genial de seu líder para possibilitar a tomada do poder pelas Forças Armadas.
Prova disso são os seguidores do presidente que defenderam, em São Paulo, que uma bandeira a meio pau no Comando Militar do Sudeste, decorrente do luto oficial por conta da morte de Pelé é, na verdade, um recado de que o Exército ouviu o clamor do seu povo.
Mas a multidão de radicais de extrema direita decepcionada, frustrada e indignada com a covardia de Jair irá cobrar uma fatura junto ao futuro político do capitão. Tachado de covarde e de mentiroso, ele pode enfrentar uma descrença ao tentar ser líder da oposição quando voltar. Diante disso, talvez nem memes e fake news possam resolver.
Principalmente, se outra alternativa de extrema direita assumir o vácuo político deixado pelo ex-mito e antagonizar com Lula e o Partido dos Trabalhadores. O bolsonarismo, vale ressaltar, não precisa de Bolsonaro para sobreviver.
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